Malunguinho, o homem que virou orixá!


Ser Escoteiro também é conhecer as raízes histórica de sua terra, por abro 20121119213624888185aesse viés de nosso blog com um lider do século 19 que pouca gente conhece mas que ameaçou o governo de Pernambuco em 1829
Quem mora na Mata Norte de Pernambuco, conhece bem esse nome, Malunguinho que está associado ao culto da Jurema, Malunguinho é descrito por vezes como um menino negro e por vezes como um homem negro jovem, seus principais atributos são ” abrir os caminhos pelas florestas e pelas matas, tanto que hoje seu culto detém-se principalmente como culto da prosperidade da resolução de problemas. Sua zona de culto é muito extensa e se estende da São José da Coroa Grande até as redondezas de João Pessoa, tendo sido encontrados terreiros dedicados a Malunguinho até no RN,uma evidencia da força do culto nesse orixá que pelo que se pode notar se fortalece a cada dia. O que muita gente ignora é que Malunguinho é um Orixá 100% brasileiro e que existiu como pessoa, que andou, que foi escravo e liderou muitas revoltas nas matas do catucá região onde hoje se encontra a Região Metropolitana Norte do Recife. Malunguinho de nome verdadeiro desconhecido foi na verdade um lider quilombola, ao que tudo indica foi ele um general ou um príncipe em sua terra natal dada a liderança que trouxe consigo, que trazido da África não aceitou a condição de escravo e mesmo sem fala nada de português montou o que seria o maior quilombo do Brasil abrangendo terras de Pernambuco e Paraíba. Nos aprofundaremos mais sobre a vida de Malunguinho em outras postagens mas hoje gostaria de apresentar uma reportagem feita por Cleide Alves e pescada do diário de Pernambuco.

Líder quilombola mais temido em Pernambuco nas primeiras décadas do século 19, o negro Malunguinho é dono de uma história singular, porém praticamente anônima. Basta dizer que o Conselho de Governo, principal órgão consultivo da província e que deu origem à Assembléia Legislativa, gastou uma reunião inteira discutindo um possível ataque dos escravos refugiados na Floresta do Catucá (Mata Norte, entre Recife e Goiana) ao Recife. A suposta invasão aconteceria em 1827, comandada por Malunguinho.

Na ata da reunião (29/01/1827), o governo provincial oferece um prêmio pela prisão dos três principais chefes dos quilombos do Catucá: 100 mil reis pela cabeça de Malunguinho, 50 mil reis por Valentim e a mesma quantia para Manoel Gabão. “Cem mil reis, na época, foi a maior quantia já oferecida pela captura de alguém vivo ou morto em Pernambuco”, observa o professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Marcus Carvalho.

Além da recompensa, foi determinado que todos os negros apanhados nos quilombos fossem vendidos ou mandados por seus donos para fora da província, “para o Sul, além Rio São Francisco, e para o Norte, além do Parnaíba”. A ata da reunião está no acervo do Arquivo Público Estadual.

Segundo Marcus Carvalho, a data do início da ocupação da Floresta do Catucá não é precisa, mas os movimentos políticos e sociais exerceram influência. “Muitos escravos devem ter aproveitado a Insurreição Pernambucana (1817) e fugiram para as matas, pois vários donos de engenhos localizados nas proximidades do Catucá faziam parte da revolta”, explica. Ele informa que os quilombos do Catucá (ou do Malunguinho) foram atacados sistematicamente pela polícia.

Há registro de diligências policiais em 1821 e 1824 e o líder mais citado em todas é Malunguinho. Numa das tentativas de acabar com os quilombos foram presos 63 negros. As diligências menores eram feitas com cerca de 60 soldados e jagunços, enquanto que as maiores chegavam a 700 homens. “Em 1824, o governo chegou a usar as tropas do Exército que tinham vindo do Rio de Janeiro para combater os rebeldes da Revolta de 1817”.

O professor acrescenta que os quilombolas mantinham contato com outros negros (familiares e amigos) que viviam nos engenhos e nas cidades. Além de ajudar os escravos fugitivos com gêneros alimentícios, essas pessoas informavam aos quilombolas sobre as diligências. “Era comum a polícia chegar nas matas e encontrar casas, mocambos e lavouras recém-abandonadas, mas nenhum negro”.

O coração dos quilombos do Catucá ficava numa região conhecida como Cova de Onça, entre Olinda e Igarassu, na antiga margem do Rio Paratibe. Os escravos fugiam do Recife e dos engenhos da Mata Norte, formando pequenas comunidades no Catucá.

Malunguinho, de acordo com Marcus Carvalho, é o aportuguesamento da palavra Malungo, de origem banto e que significa “canoa grande”. Malungo é traduzido também como “companheiro” e serve para identificar as pessoas que vieram no mesmo navio negreiro. “É um laço muito forte”.

Nos documentos da polícia não há registro da morte ou captura de Malunguinho. O quilombo foi dizimado por volta de 1830. Um dos fatores que mais contribuíram foi a criação da Colônia Amélia, formada por soldados de origem germânica que haviam lutado na Guerra da Cisplatina. Como o governo queria acabar com os quilombos, ofereceu terras aos soldados na Floresta do Catucá. “Os soldados não sabiam que a área já era ocupada pelos negros. No confronto, a família alemã Christiane foi massacrada”.

3 comentários sobre “Malunguinho, o homem que virou orixá!

  1. Malunguinho nunca foi um Orixá, pois Orixás são DIVINDADES que os escravos trouxeram de sua cultura africana. Contudo, Malunginho FOI REAL e teve uma importância enorme tanto no combate a escravidão e consagrado nos cultos religiosos. Tal fato se destaca quando do culto da Jurema se invoca a proteção do MESTRE MALUNGUINHO, que viveu próximo às margens do Rio Paratibe. Devemos lembrar que tal rio se localizava à época enter as cidades de Igarassu e Olinda, vejamos, à época apenas existiam estas duas cidades naquela região e que tempos depois um lote de terra fora doado a um “Paulista” e assim ficou conhecida, como as terras do Paulista, para algum tempo depois passar ao “domínio dos Lundgren”. Devo destacar aqui também que o território hoje conhecido como Cidade de Abreu e Lima também já foi território da Cidade do Paulista, a emancipação de Abreu e Lima de deu anos após. Voltanndo ao foco da localização do Quilombo, este se encontrava às margens do Rio Paratibe que é um Rio que corta a Cidade de Paulista e que hoje é pouco mais que o filete de água que passa por perto do Atual Fórum da Cidade. Fiquei muito feliz ao ler este artigo, pois com base nestes dados ouso afirmar que o Quilombo do Catucá, possivelmente o maior do Estado de Pernambuco, se situava na CIDADE DE PAULISTA!

    SALVE A JUREMA SAGRADA, SALVE SÃO JORGE E SALVE MESTRE MALUNGUINHO!

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  2. Obrigado Amanda pela contribuiçã,mas não entendo o porque que os Orixás são somente os que vieram da África. A História de Malunguinho é tão cheia de magias e realidades quanto a dos outros Orixás, ele pode o primneiro Orixá brasileiro.

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  3. Não há de que agradecer Gilmar! E quanto à sua dúvida, vou tentar esclarecer.
    O culto aos Orixás vem da África trazido pelos negros escravos do Congo e difundido no Brasil de duas formas: a Forma Bahiana conhecida por todos como Candomblé e a forma Pernambucana que se consagra no Maracatu. Ambas as formas se interligam e se completam de tal forma a nos trazes o culto dos Deuses africanos: Exú, Ogun, Oxum, Iemanjá, Xamgô, Iansã… O Candomblé vem com a forma mais “bruta” do culto aos Deuses africanos, pois, nos guia aos seus rituais e desígnios já o Maracatu nos mostra a importância que tais divindades têm na vida dos praticantes dessa fé que fora importada pro nosso pais. Após anos da prática e principalmente durante a época de escravidão houve a junção de dois povos que eram minorias sociais: Os negros e Os índios. E foi durante a miscigenação destas raças que surgiu a necessidade de criar uma forma de cultuar as divindades indígenas e as divindades negras, surgindo assim O CULTO À JUREMA SAGRADA. E durante esse processo de criação essas pessoas perceberam que determinados indivíduos da “sociedade” deles representavam algo de muito importante, eram uma espécie de divindade sobre a terra, um “AVATAR” por assim dizer, e estes passaram a também ser cultuados, não como Orixás, pois estes teriam sue panteão bastante definido, mas, como representante destes e com isso passaram a ser chamados MESTRES sendo nesta nova forma de culto tão importantes quanto são os orixás ao Candomblé. São “divindades” puramente brasileiras, tais como: Mestre Manoel Quebra-pedra, Mestra Paulina, Mestra Maria Rosa, Mestra Luziara, Mestra Ritinha, Mestre Gira Mundo, Mestre Pilão Deitado… Entre tantos outros cuja as histórias são bastante interessante!

    Espero que agora eu tenha conseguido explicar bem as semelhanças e diferenças destes cultos.
    SALVE A JUREMA SAGRADA, SALVE SÃO JORGE E SALVE MESTRE MALUNGUINHO!

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