CHÁNUKAH FEMINISTA


RRESISTÊNCIAS CRUZADAS ou CHÁNUKAH FEMINISTA

Essa semana, comemoramos a festa de Chánukah, a festa das luzes, que marca uma história de resistência e luta por liberdade religiosa.

Antiochus III, um rei selêucida – sírio – que teve seu império dominado pelos romanos e obrigou os povos de seu império a fornecerem ouro para pagar os tributos romanos. Ele, porém, dava liberdade religiosa a esses povos. Isso muda quando Antiochus III falece e seu filho Antiochus IV assume o império e impõe sua cultura e religião sobre os povos do império. Parte desse império era a região da Palestina, onde se encontrava o povo judeu. Os judeus, então, se rebelam e organizam um exército de resistência, que ficou conhecido como Macabim (Macabeus). Após de inúmeras batalhas contra o exército de repressão selêucida, os Macabim venceram e reconquistaram, além de sua liberdade de culto, o templo sagrado, que havia sido profanado.

Um dos líderes do povo judeu nesse período, Yochanan, tinha uma filha chamada Yehudit (Judith). Ela vivia na cidade de Betúlia, que era governada por Holofernes, um general de Antiochus IV. Determinado a acabar com as rebeliões judaicas da cidade e após perder várias batalhas para os Macabim, Holofernes decide cortar o acesso a água e alimento da cidade. Com a população desesperada, Yehudit se dispõe a falar com Holofernes. Ela e uma acompanhante, Abra, preparam uma cesta de vinho e vão ao encontro do general. No encontro, Judith conta a Holofernes que pode ajudá-lo a conquistar a cidade. Como a cidade estava passando por uma crise hídrica e alimentícia, logo não haveria mais nada para manter a população e, quando isso ocorresse, ela ficaria sabendo, por ter informantes na cidade. Esse seria o momento perfeito para Holofernes conquistar a cidade. O general, então, animado com a ideia de Yehudit, decidiu comemorar e tomar os vinhos levados pelas visitantes. Holofernes fica completamente embriagado e, nesse momento, Yehudit aproveita para decapitá-lo. Ela e Abra, então, voltam para a cidade, mostram a cabeça de Holofernes e convocam o exército Macabeu de resistencia judaica para atacar imediatamente, pois o exército de Holofernes estava despreparado e sem comandante. Os judeus vencem e retomam o comando da cidade.

O espisódio de Yehudit foi retratado por inúmeros artistas, entre eles, Caravaggio (a representação mais famosa). O quadro “Judith decapitando Holofernes” de Artemisia Gentileschi, porém, possui uma representação diferenciada. Em outras obras, Yehudit está com uma expressão asssustada, arrependida, ou recua ao decapitar Holofernes, além de Abra ser representada como uma idosa. Na obra de Artemisia, Yehudit está com uma expressão de como se estivesse certa de sua ação, além de Abra ser representada como mais jovem e coadjuvante na ação (o que denota uma atmosfera de cumplicidade feminina).

Não coincidentemente, Artemisia Gentileschi é mulher. Nascida em 1593, em Nápoles, e filha do pintor Orazio Gentileschi, não podia estudar em nenhuma academia de arte por ser mulher. Orazio, então, transformou seu ajudante Agostino Tassi em tutor de Artemisia. Tassi, porém, estuprou Artemisia quando ela tinha 17 anos e ela continuou mantendo relações sexuais com o tutor, na esperança de que ele se casasse com ela e que ela recuperasse sua reputação. Orazio, ao descobir o caso, processa Tassi. Durante o julgamento Artemisia foi torturada para mostrar evidências do estupro. Mais tarde, Artemisia foi para Florença, continuou pintando, teve sucessso e foi a primeira mulher a ter obras comisssionadas e a ser aprovada na Academia de Belas Artes da cidade.

Assim como Yehudit, Artemisia não deixou a tragédia suplantar sua bravura. Ambas resistiram como mulheres e lutaram pelo que acreditavam. A festa de Chánukah nos remete a uma história de resistência e luta, portanto, lembremos, também de histórias como as de Yehudit, Artemisia e tantas outras mulheres resistem e lutam diariamente. Que a festa das luzes ilumine a todos com o feminismo!

Texto de: Caroline BerajaESISTÊNCIAS CRUZADAS ou CHÁNUKAH FEMINISTA

Essa semana, comemoramos a festa de Chánukah, a festa das luzes, que marca uma história de resistência e luta por liberdade religiosa.

Antiochus III, um rei selêucida – sírio – que teve seu império dominado pelos romanos e obrigou os povos de seu império a fornecerem ouro para pagar os tributos romanos. Ele, porém, dava liberdade religiosa a esses povos. Isso muda quando Antiochus III falece e seu filho Antiochus IV assume o império e impõe sua cultura e religião sobre os povos do império. Parte desse império era a região da Palestina, onde se encontrava o povo judeu. Os judeus, então, se rebelam e organizam um exército de resistência, que ficou conhecido como Macabim (Macabeus). Após de inúmeras batalhas contra o exército de repressão selêucida, os Macabim venceram e reconquistaram, além de sua liberdade de culto, o templo sagrado, que havia sido profanado.

Um dos líderes do povo judeu nesse período, Yochanan, tinha uma filha chamada Yehudit (Judith). Ela vivia na cidade de Betúlia, que era governada por Holofernes, um general de Antiochus IV. Determinado a acabar com as rebeliões judaicas da cidade e após perder várias batalhas para os Macabim, Holofernes decide cortar o acesso a água e alimento da cidade. Com a população desesperada, Yehudit se dispõe a falar com Holofernes. Ela e uma acompanhante, Abra, preparam uma cesta de vinho e vão ao encontro do general. No encontro, Judith conta a Holofernes que pode ajudá-lo a conquistar a cidade. Como a cidade estava passando por uma crise hídrica e alimentícia, logo não haveria mais nada para manter a população e, quando isso ocorresse, ela ficaria sabendo, por ter informantes na cidade. Esse seria o momento perfeito para Holofernes conquistar a cidade. O general, então, animado com a ideia de Yehudit, decidiu comemorar e tomar os vinhos levados pelas visitantes. Holofernes fica completamente embriagado e, nesse momento, Yehudit aproveita para decapitá-lo. Ela e Abra, então, voltam para a cidade, mostram a cabeça de Holofernes e convocam o exército Macabeu de resistencia judaica para atacar imediatamente, pois o exército de Holofernes estava despreparado e sem comandante. Os judeus vencem e retomam o comando da cidade.

O espisódio de Yehudit foi retratado por inúmeros artistas, entre eles, Caravaggio (a representação mais famosa). O quadro “Judith decapitando Holofernes” de Artemisia Gentileschi, porém, possui uma representação diferenciada. Em outras obras, Yehudit está com uma expressão asssustada, arrependida, ou recua ao decapitar Holofernes, além de Abra ser representada como uma idosa. Na obra de Artemisia, Yehudit está com uma expressão de como se estivesse certa de sua ação, além de Abra ser representada como mais jovem e coadjuvante na ação (o que denota uma atmosfera de cumplicidade feminina).

Não coincidentemente, Artemisia Gentileschi é mulher. Nascida em 1593, em Nápoles, e filha do pintor Orazio Gentileschi, não podia estudar em nenhuma academia de arte por ser mulher. Orazio, então, transformou seu ajudante Agostino Tassi em tutor de Artemisia. Tassi, porém, estuprou Artemisia quando ela tinha 17 anos e ela continuou mantendo relações sexuais com o tutor, na esperança de que ele se casasse com ela e que ela recuperasse sua reputação. Orazio, ao descobir o caso, processa Tassi. Durante o julgamento Artemisia foi torturada para mostrar evidências do estupro. Mais tarde, Artemisia foi para Florença, continuou pintando, teve sucessso e foi a primeira mulher a ter obras comisssionadas e a ser aprovada na Academia de Belas Artes da cidade.

Assim como Yehudit, Artemisia não deixou a tragédia suplantar sua bravura. Ambas resistiram como mulheres e lutaram pelo que acreditavam. A festa de Chánukah nos remete a uma história de resistência e luta, portanto, lembremos, também de histórias como as de Yehudit, Artemisia e tantas outras mulheres resistem e lutam diariamente. Que a festa das luzes ilumine a todos com o feminismo!

Texto de: Caroline Beraja

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