Como surgiu o medo…


O livro da selva (como surgiu o medo)

Baloo o grande urso pardo, professor dos lobos da Alcateia de Seeonee, da qual Mowgli fazia parte, ensinava a lei do Jângal e previa a todos que ela era como o cipó gigante: sempre alcançava o costado de todos e ninguém escapava dela. Mowgli não lhe dera ouvidos até um ano em que ele percebeu que todo o Jângal está sujeito à mesma lei. A terra começou a secar, assim como a vegetação, o pasto ficou escasso assim como toda a alimentação na selva. Com a falta de chuvas e o calor intenso todas as poças de água foram secando ao ponto de haver água somente no leito do grande rio Waingunga, agora reduzido a um pequeno córrego com suas margens secas. E quando Hathi, o grande elefante selvagem, percebeu o afloramento de uma grande pedra bem no meio da corrente do rio, ele reconheceu a roca da paz, e imediatamente elevou sua tromba e decretou a trégua da água, assim como seu pai o fez a 50 anos atrás. A lei dizia que em caso de falta de água a caça no entorno dos pontos de água era proibida, pois matar a sede é mais importante que se alimentar. Aqueles que desrespeitassem a trégua da água seriam castigados com a própria vida.

Estavam todos reunidos nas margens do rio Waingunga quando chegou Shere-Khan para beber água. Os animais notaram as manchas escuras e oleaginosas que desciam o rio a partir da papada do tigre enquanto este bebia água. Todos ficaram espantados ao saberem que Shere-Khan havia matado um homem e por mero prazer. Revoltados com o tigre todos os animais começaram a mostrar indignação com sua atitude. Shere-Khan antes de se retirar, por ordem de Hathi, resmungou que estava em seu direito, pois aquela noite era dele. Mowgli ficou intrigado e questionou Hathi sobre esse tal “direito” que Shere-Khan falava, pois matar um homem é sempre uma vergonha para os animais do Jângal.
Essa é uma historia antiga, respondeu Hathi, mais antiga que o próprio Jângal. Façam silêncio que vou contá-la. De todos os seres o mais temido é o homem, e vocês sabem por quê? No início do Jângal, e ninguém sabe quando isso foi, todos os animais andavam juntos sem temor. Não havia secas e nem falta de alimentos, todos os animais se alimentavam de pasto, folhas, cascas e frutas. Tha o primeiro elefante era o senhor e criador do Jângal, como andava ocupado em criar novas floretas e rios, ele designou um tigre para representa-lo como juiz do Jângal, responsável pela resolução das desavenças eventuais. Naquela época o tigre não tinha listras, era todo amarelo e também se alimentava de folhas e frutas. Os homens também vivam em harmonia com os animais e a floresta, todos eram um só povo.
Certa noite ocorreu uma desavença entre dois gamos por causa do pasto. Ao se explicarem para o tigre um dos gamos o empurrou com seus chifres, e o tigre, esquecendo que era o juiz do Jângal, pulou sobre o gamo e lhe quebrou o pescoço. Até aquele momento nenhum animal havia morrido. Ao ver o sangue do gamo o tigre ficou louco e fugiu para os pântanos no norte. Os animais ficaram sem líder e começaram a brigar entre si. Até que Tha o elefante, ouvindo todo o barulho, retornou ao Jângal ordenando que as árvores marcassem o corpo do assassino com listras e sugerindo que outro animal tomasse o lugar do tigre como líder. O Macaco cinzento logo se prontificou. No início assumiu uma postura de seriedade, mas logo retomou suas atitudes ridículas e descomprometidas, deixando mais uma vez, o Jângal sem liderança. A bagunça se instalou novamente pela floresta.
Foi quando Tha retornou mais uma vez, indignado, dizendo que já estava na hora de todos seguirem uma lei, pois o primeiro líder havia introduzido a morte no Jângal, enquanto o segundo havia introduzido a vergonha. Então Tha disse a todos: o Jângal precisa de uma lei que vocês não possam infringir, de agora e diante vocês conhecerão o medo, e quando o encontrarem saberão que ele é o seu senhor, e o resto virá por si. Todos os animais espantados se perguntavam “o que é o medo?” e Hathi disse: procurem até o encontrarem.
Não tardou para surgir à notícia de que o medo vivia em uma caverna, com o corpo sem pelos e apoiado sobre duas patas. Todos os animais correram para ver o medo. Quando se aproximaram da caverna, o homem deu um grito muito alto e foi tomado pelo mesmo medo que os animais também sentiram naquele momento. Os animais fugiram correndo e daquele dia em diante ninguém mais ficou junto na floresta como de costume. Os animais passaram a se agrupar por espécies, sempre tendo medo um dos outros. O primeiro tigre sabendo desta história disse que iria até a tal caverna e que quebraria o pescoço do medo, no trajeto ele foi marcado pelas árvores e cipós, tornando-se todo listrado, marcas que seus descendentes trazem até os dias de hoje. Ao encontrar o ser sem pelos na caverna, o tigre também foi possuído pelo medo e acabou fugindo novamente para o pântano.
Se sentindo desonrado e furioso por ter sentido o medo ele implora a Tha para que seus descendentes possam lembrar que um dia ele também tinha sido o senhor do Jângal. Tha então concede ao tigre apenas uma noite do ano, na qual ele não sentirá medo do homem, mas este sentira medo do tigre, como se ele ainda fosse o senhor do Jângal. Tha também pediu ao tigre que tivesse compaixão dos homens, pois ele sabia o que era sentir o medo.

Ainda furioso por ter de carregar as listras em seu corpo, o tigre esperou impacientemente pela sua noite. Ao perceber que ela havia chegado ele correu para a caverna do homem e, na primeira oportunidade, quebrou sua espinha. O tigre achava que havia somente um dos seres sem pelo e que havia acabado com o medo. Tha retorna ao Jângal e questiona o primeiro tigre: é essa a sua compaixão? Que importa, respondeu o tigre, eu matei o medo. Tha replicou: “cego e insensato!” Você desatou os pés da morte e ela vai lhe seguir até que esteja morto. Você ensinou o homem a matar! Mas o primeiro tigre, insolente, acreditava que havia exterminado o medo e que seria novamente o senhor do Jângal. Ao findar sua noite, no amanhecer, outro ser sem pelo saiu da caverna e avistou o tigre sobre o morto, pegou uma lança e arremessou acertando no flanco do tigre que correu gritando pelo Jângal até conseguir retirar a lança. Todos os animais agora sabiam que os homens podem matar a distância e passaram a temê-lo ainda mais.

O livro da selva (como surgiu o medo)

Baloo o grande urso pardo, professor dos lobos da Alcateia de Seeonee, da qual Mowgli fazia parte, ensinava a lei do Jângal e previa a todos que ela era como o cipó gigante: sempre alcançava o costado de todos e ninguém escapava dela. Mowgli não lhe dera ouvidos até um ano em que ele percebeu que todo o Jângal está sujeito à mesma lei. A terra começou a secar, assim como a vegetação, o pasto ficou escasso assim como toda a alimentação na selva. Com a falta de chuvas e o calor intenso todas as poças de água foram secando ao ponto de haver água somente no leito do grande rio Waingunga, agora reduzido a um pequeno córrego com suas margens secas. E quando Hathi, o grande elefante selvagem, percebeu o afloramento de uma grande pedra bem no meio da corrente do rio, ele reconheceu a roca da paz, e imediatamente elevou sua tromba e decretou a trégua da água, assim como seu pai o fez a 50 anos atrás. A lei dizia que em caso de falta de água a caça no entorno dos pontos de água era proibida, pois matar a sede é mais importante que se alimentar. Aqueles que desrespeitassem a trégua da água seriam castigados com a própria vida.
Estavam todos reunidos nas margens do rio Waingunga quando chegou Shere-Khan para beber água. Os animais notaram as manchas escuras e oleaginosas que desciam o rio a partir da papada do tigre enquanto este bebia água. Todos ficaram espantados ao saberem que Shere-Khan havia matado um homem e por mero prazer. Revoltados com o tigre todos os animais começaram a mostrar indignação com sua atitude. Shere-Khan antes de se retirar, por ordem de Hathi, resmungou que estava em seu direito, pois aquela noite era dele. Mowgli ficou intrigado e questionou Hathi sobre esse tal “direito” que Shere-Khan falava, pois matar um homem é sempre uma vergonha para os animais do Jângal.
Essa é uma historia antiga, respondeu Hathi, mais antiga que o próprio Jângal. Façam silêncio que vou contá-la. De todos os seres o mais temido é o homem, e vocês sabem por quê? No início do Jângal, e ninguém sabe quando isso foi, todos os animais andavam juntos sem temor. Não havia secas e nem falta de alimentos, todos os animais se alimentavam de pasto, folhas, cascas e frutas. Tha o primeiro elefante era o senhor e criador do Jângal, como andava ocupado em criar novas floretas e rios, ele designou um tigre para representa-lo como juiz do Jângal, responsável pela resolução das desavenças eventuais. Naquela época o tigre não tinha listras, era todo amarelo e também se alimentava de folhas e frutas. Os homens também vivam em harmonia com os animais e a floresta, todos eram um só povo.
Certa noite ocorreu uma desavença entre dois gamos por causa do pasto. Ao se explicarem para o tigre um dos gamos o empurrou com seus chifres, e o tigre, esquecendo que era o juiz do Jângal, pulou sobre o gamo e lhe quebrou o pescoço. Até aquele momento nenhum animal havia morrido. Ao ver o sangue do gamo o tigre ficou louco e fugiu para os pântanos no norte. Os animais ficaram sem líder e começaram a brigar entre si. Até que Tha o elefante, ouvindo todo o barulho, retornou ao Jângal ordenando que as árvores marcassem o corpo do assassino com listras e sugerindo que outro animal tomasse o lugar do tigre como líder. O Macaco cinzento logo se prontificou. No início assumiu uma postura de seriedade, mas logo retomou suas atitudes ridículas e descomprometidas, deixando mais uma vez, o Jângal sem liderança. A bagunça se instalou novamente pela floresta.
Foi quando Tha retornou mais uma vez, indignado, dizendo que já estava na hora de todos seguirem uma lei, pois o primeiro líder havia introduzido a morte no Jângal, enquanto o segundo havia introduzido a vergonha. Então Tha disse a todos: o Jângal precisa de uma lei que vocês não possam infringir, de agora e diante vocês conhecerão o medo, e quando o encontrarem saberão que ele é o seu senhor, e o resto virá por si. Todos os animais espantados se perguntavam “o que é o medo?” e Hathi disse: procurem até o encontrarem.
Não tardou para surgir à notícia de que o medo vivia em uma caverna, com o corpo sem pelos e apoiado sobre duas patas. Todos os animais correram para ver o medo. Quando se aproximaram da caverna, o homem deu um grito muito alto e foi tomado pelo mesmo medo que os animais também sentiram naquele momento. Os animais fugiram correndo e daquele dia em diante ninguém mais ficou junto na floresta como de costume. Os animais passaram a se agrupar por espécies, sempre tendo medo um dos outros. O primeiro tigre sabendo desta história disse que iria até a tal caverna e que quebraria o pescoço do medo, no trajeto ele foi marcado pelas árvores e cipós, tornando-se todo listrado, marcas que seus descendentes trazem até os dias de hoje. Ao encontrar o ser sem pelos na caverna, o tigre também foi possuído pelo medo e acabou fugindo novamente para o pântano.
Se sentindo desonrado e furioso por ter sentido o medo ele implora a Tha para que seus descendentes possam lembrar que um dia ele também tinha sido o senhor do Jângal. Tha então concede ao tigre apenas uma noite do ano, na qual ele não sentirá medo do homem, mas este sentira medo do tigre, como se ele ainda fosse o senhor do Jângal. Tha também pediu ao tigre que tivesse compaixão dos homens, pois ele sabia o que era sentir o medo.

Ainda furioso por ter de carregar as listras em seu corpo, o tigre esperou impacientemente pela sua noite. Ao perceber que ela havia chegado ele correu para a caverna do homem e, na primeira oportunidade, quebrou sua espinha. O tigre achava que havia somente um dos seres sem pelo e que havia acabado com o medo. Tha retorna ao Jângal e questiona o primeiro tigre: é essa a sua compaixão? Que importa, respondeu o tigre, eu matei o medo. Tha replicou: “cego e insensato!” Você desatou os pés da morte e ela vai lhe seguir até que esteja morto. Você ensinou o homem a matar! Mas o primeiro tigre, insolente, acreditava que havia exterminado o medo e que seria novamente o senhor do Jângal. Ao findar sua noite, no amanhecer, outro ser sem pelo saiu da caverna e avistou o tigre sobre o morto, pegou uma lança e arremessou acertando no flanco do tigre que correu gritando pelo Jângal até conseguir retirar a lança. Todos os animais agora sabiam que os homens podem matar a distância e passaram a temê-lo ainda mais

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